O que exigir no contrato de uma agência de marketing

Contratar sem se queimar

O que exigir no contrato de uma agência de marketing

Exija por escrito: o nome de quem cuida da sua conta e o que acontece se ela sair; a frequência de acompanhamento com consequência escrita; as contas de anúncio, o pixel e os criativos em arquivo aberto no seu nome; prazo de aviso igual para os dois lados; e a devolução dos dados no encerramento.

Gabriel VazFundador da Orbe Assessoria··5 min

O contrato de agência é assinado no dia em que todo mundo está animado. Proposta aprovada, ninguém quer travar o começo discutindo cláusula. Meses depois, quando a relação termina, é esse mesmo documento que decide se você sai com a sua operação na mão ou com um login que não é seu.

O problema, quando a relação termina mal, não é só a agência ter ficado ruim. É não haver nada escrito para o dia em que ela ficasse.

Isto não é texto jurídico e não substitui advogado. É a lista do que se aprende a exigir no papel, do lado de quem opera. Cada item responde a mesma pergunta: se não estiver escrito, quem paga a conta?

Quem responde pela sua conta, com nome

O contrato precisa dizer o nome da pessoa que vai cuidar da sua conta. Não "um time dedicado", não "profissionais certificados". Nome.

E precisa dizer o que acontece quando ela sair, porque ela vai sair: gente pede demissão, muda de área, é promovida. O que não pode é você descobrir a troca pelo remetente novo no e-mail. Escreva três coisas: aviso em prazo definido, apresentação do substituto antes da transição, e o direito de encerrar sem multa se a substituição não te servir.

O último pedaço incomoda o fornecedor, e é justamente ele que faz a cláusula funcionar. Sem ele, o aviso de troca é cortesia.

Acompanhamento sem consequência é intenção

Prometer reunião não custa nada na proposta. O que custa é o que vem ao lado: frequência, quem participa do lado de lá e o que acontece quando ela não acontece.

Escreva os três. Frequência, nome de quem senta na sala, e a consequência de descumprir: desconto proporcional, direito de rescindir sem multa, algo que custe. Combinado que não custa nada ao fornecedor não sobrevive à primeira semana cheia dele.

Cláusula sem consequência não é cláusula, é intenção impressa em papel timbrado. Se descumprir não custa nada, ela existe para te acalmar, não para te proteger.

Propriedade das contas: o item que decide o dia da saída

É barato de resolver antes de assinar e não tem conserto depois. Três coisas precisam estar no seu nome, com você como administrador:

  • A conta de anúncio. Ela guarda o histórico que a plataforma usa para entregar melhor. Suponha, como exemplo, que você investiu R$ 8.000 por mês durante dez meses: são R$ 80.000 de sinal acumulado ali dentro. Esse histórico não sai com você.
  • O pixel e as fontes de dados do site. Públicos, eventos de conversão, base de remarketing. Instalados por eles, dentro da sua estrutura.
  • Os criativos em arquivo aberto. Não é o JPG exportado. É o arquivo editável, para outra pessoa continuar de onde parou.

A agência trabalha dentro das suas contas, com acesso concedido. Acesso se revoga em um clique. Propriedade se negocia. Você quer estar do lado que revoga.

Como você sai, e o que leva

Prazo de aviso: escreva um número e confira se ele é o mesmo para os dois lados. Aviso longo de um lado só é multa com outro nome. Suponha um contrato que pede 90 dias de aviso seu e 30 do lado deles: os 60 dias de diferença são meses que você paga por um serviço que já decidiu encerrar.

Escreva também o que acontece com os dados no fim: prazo para devolver acessos, entrega dos relatórios e das bases em formato aberto, planilha e não print de painel, e o que a agência apaga do lado dela. Sem isso, o último mês vira negociação, e você negocia de mão fraca.

CláusulaO que ela evitaSinal de alerta se recusarem
Nome do responsável e regra de substituiçãoDescobrir a troca pelo remetente novo no e-mail"A gente trabalha em time, não individualiza"
Acompanhamento com frequência e consequênciaReunião que vira print de painel no quarto mês"Isso é rígido demais, pode confiar na gente"
Conta de anúncio e pixel no seu nomeRecomeçar do zero na plataforma quando sair"É mais prático manter na nossa estrutura"
Criativos entregues em arquivo abertoPeça pronta que você não consegue alterar"Arquivo de trabalho é material interno"
Aviso de encerramento igual para os dois ladosPagar meses de um serviço já encerrado na prática"Esse é o padrão do mercado"
Devolução de acessos e dados no fimFicar sem o histórico que você pagou para gerar"A gente resolve quando acontecer"

O que fazer com isso

Pegue o contrato que está na sua mesa, ou o que você já assinou, e procure as seis linhas da tabela. Marque as que não estão lá.

Se ainda está escolhendo, mande a lista por e-mail antes da próxima reunião e peça resposta por escrito. O tempo de resposta já diz quase tudo: quem tem isso resolvido responde rápido, porque é só copiar do contrato que já usa.

Se já está dentro de um contrato, não precisa brigar. Peça um aditivo, começando pelos itens de propriedade, que são os que doem na saída. Quem trabalha limpo aceita, porque não perde nada. Quem trava aí acabou de te dar a informação mais útil da relação.

A Orbe já assinou contrato sem metade disso escrito, e aprendeu do jeito ruim: cliente que sai bem é cliente que consegue sair. Hoje esses itens entram antes de a primeira campanha subir.

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